dezembro 31, 2005

Poemas do Dia Meio



DA CHUVA



               
               
          Que importa?

                     Está a chover

                     mas não chove.

                     Creio mesmo que o sol está a brincar.

 

                     Primeiro hás-de ser hera

                     e tigre

                     entre tronco e pele.

 

                     Depois derramar paisagens em meus dedos

                     silêncio no olhar

                     o sangue há-de saber a fome, a uva.

                     Só então a chuva.  

Publicado por barbant em 03:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 31, 2005

Poemas do Dia Meio



SER O QUE NÃO FOSTE



               

        

Não sofro não mas fico ciumento

desse rumor de estrelas

e voz de caravelas

que no teu corpo invento.

 

Ah! Só me resta

beber beber sobretudo o teu rosto

enquanto há cor na festa

e a carne sabe a mosto.

 

Rosto calado a fingir de céu

olhar aberto onde ele nu se mostre.

 

Boca em chamas e basta o mundo afoga

não vale a pena ser o que não foste.

Publicado por barbant em 07:16 PM | Comentários (5) | TrackBack

janeiro 30, 2005

Poemas do Dia Meio


SER



        E és água
         no contorno da tarde adormecida.

         E és mácula
         na minha boca ressequida.

         Não sei se és bela ou sangue
         a sonhar ou doer.

         Só sei que existes e não vens
         e a tarde ven na mesma
         e eu tenho que ser.

 

Publicado por barbant em 08:42 PM | Comentários (8)

dezembro 22, 2004

Poemas do Dia Meio


A FLOR DO SONHO


Dormes amor e a tua face
é o sorriso da vida que não tens.
Enquanto dormes longa em mim renasces
a enforcar desdéns.

Ah dorme amor dessa harmonia
madura como seara ao meio-dia!
Dorme envolta do cume meu e que não tenho
pois de ti vem
e porque o ignoras
assim morta de paz, já não é teu também.

Ah dorme tal se o mundo estanceasse
e haja apenas sonhos nas pupilas
belos como o aceno vão da tua face.

Dorme assim longa de abandono
e entra em mim aos gritos como um mar.

Ah dorme amor!, não é tão doce o sono?
e toda a dor está em acordar.

Publicado por barbant em 08:56 PM | Comentários (8)

novembro 01, 2004

Poemas do Dia Meio


 JANELA ABERTA



Não é surpresa o vento frio
na minha face que desperta
nem o teu corpo amor que vem e não
pela janela aberta.

Tudo cinzento amor tudo cinzento
sem céu sem aves sem pinhais.

Tudo cinzento e frio
por isso a manhã germina nos meus olhos
semeada em cristais.

Germina aquece sobe
doirada leve
no teu corpo encharcado e submisso.

Longa de asas e luz
apenas porque existes só por isso.

Publicado por barbant em 07:37 PM | Comentários (8)

outubro 09, 2004

Poemas do Dia Meio

                       
                 LEMBRANÇA



Estou a lembrar-me do dia em que te hei-de possuir.

Tem que haver uma lua de sangue
vento nas árvores
e tu hás-de sorrir está bem? sorrir ...

Tem que haver os meus braços frementes de silêncio
um silêncio de dor águas e frutos
para arremessar em tua boca pasmada.

Mas finge que me és toda embora nada sim?
Finge que és chuva escorrendo-me do rosto
ainda que te queime qualquer alvorada.

Estou-me a lembrar: vinhas bonita
escancarada de amor a carne a boca
escancarada de amor
escancarada.

Vinhas bela. Lembrar traz primavera
desolação
sorriso entretanto.

E tu amor só dóis dóis tanto!

Publicado por barbant em 10:05 AM | Comentários (9)