outubro 23, 2004

Morricone's Suites

          
             
FOR ELENA



a chuva que outrora em teus cabelos
molhou meu rosto
chove no presente
ácida confundindo-se
numa única chuva
que fez desaguar nosso amor
em dois casamentos
que não o nosso
desfazendo as personalidades
minha e tua que entretanto
haviam permutado
e em carne
viva nos arrancaram forma
suprema de perpetuar
nosso amor encostado
a esta chuva
molhada de teus cabelos
projectados em haste para o sempre
de nossas noites

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setembro 25, 2004

D'Amore Si Muore





morrer
de amor
qualquer um
pode
e não pode

quem não pode
ou não quer
ou não deixa
essa morte
alastrar
no peito
apertado
apenas por quem
tem amor
para morrer

Publicado por barbant em 02:22 PM | Comentários (9) | TrackBack

julho 20, 2004

Le Vent Le Cri

 
 

como uma finíssima dor aguda
de fio de cabelo e de punhal gume
a música alastra e rompe
progressivamente
destruindo o sentimento acumulado e cristalizado derrubando
com seu árido vento
o cimo das dunas infectadas
música aliada
do ténue resfolegar do peito quase
morto dos braços caídos como trança
de rapariga cortada da febre
sobre os lábios secos e incapazes
de construir como conviria
para que alguma calma a ele
sobreviesse
o grito

Publicado por barbant em 01:34 PM | Comentários (5) | TrackBack