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por força de confluências lógicas o baixio atolava e era designado lapuceiro que remetia pés conspurcados à missa dominical facto repelido por força de sinergias hidráulicas aplicadas no desvio das águas no entanto por força do registo resistente de silva na
memória a lama continua lá
In "Ramo e de repente", Editora Ausência, Nov./2005 |
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da tarde o oiro floresce
a vespa percorre o vinho
nos melros se constrói a semente carros sobem junto aos carros se erguendo breve é a água e os carreiros onde os pés cintilam as andorinhas conhecem a chuva gota a gota se dispersa o quadro e seu óleo loira é a vida o mosto |
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A NUDEZ DO PAPEL |
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a
feroz nudez do papel é
posterior o branco sexo se de olhos o
banhas já arde na
cabeça ou no peito a realidade instala
o outro mundo já de morta a
mesa a luz o corpo é um esquema árido mas
a paisagem transborda se a
opressão não veicula o verso as
folhas rebentam o occipital os
pássaros destroem a casa a
palavra o silêncio estilhaça excepto
as nuas mulheres de
espada anterior rasgando cerce(ta) a
escritura fácil o
braço conduz a manada na
mão se bebe de beber o
signo e de fogo é
a metamorfose sobre
a brancura assim hieroglificada a
dança estila o rumor até
se extinguir numa alegria coitífica mortal |
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eis o teu rosto e os seus cavalos longamente agressivos sobre as águas olha a memória neles inscrita os lábios ramos fecundos o fuliginoso exercício que os gestos cães escrevem destruindo-se entre como as esguias células do prazer onde se arriscam dedos e um outro rosto outro rebanho de cavalos ou beijos ou o luminoso desespero se confunde e ensanguenta quase a morte mostra as maleáveis mãos oh impossível oh sangue oh meu precário poder eis o teu rosto e os seus cavalos |
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quando te olho se te olho vejo por vezes as duas mulheres que tu és a delicada a meiga a lindatoda eternamente virgem vivendo de palavras gestos enlaçados e um beijo mal aflorado e a outra cedendo e sendo joelhos da natureza em luxúria ou forçada abrigada obrigada negando a comunhão da flor e a transformação do amador e erguendo a soma de dois seres diversos na violência imposta e submetida pela enxurrada de acrisolados códigos |
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há mortes ou mortos cuja notícia apesar de não fracturar o centro da angústia não se acomoda dentro de nós e carece de pormenores pequenos pormenores que instalem uma evolução prévia de doença um prenúncio algo que possa ser a véspera que não houve de forma a que por fim com uns restos de dorida resistência as pálpebras se cerrem as pernas se estendam e os braços se cruzem
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recuso abrir o sarcófago dos múltiplos encontros que provocaste no gume dos sentidos invadindo todas as frestas como chuva em casa esburacada
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![]() Munch |
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a criança de outrora apercebe-se
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Há palavras que sem te aperceberes poisam nos lábios. Não sabes a direcção mas decerto vêm de sul. Deves soltá-las. Se o não fizeres encaminhar-se-ão para o interior queimando com seu lume primeiro a garganta. Agora tens que optar. Entre um incêndio. E outro. |
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