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CLAREANDO
IDEIAS
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Sendo embora certo que a posse é objectivo máximo do par que se enamora ou apaixona. Mas a propriedade, essa liberta um cheiro acre que pulveriza os sentimentos. Então, mesmo o casal já definitivamente decretado proprietário do outro por civil e igreja, deveria liberar o cônjuge: permitir, embora tremendo de receio, que ele vivesse em pleno com os outros. Se a relação é funda, ele regressa aos teus braços no fim do dia. Ou da noite. Se não, é porque não era. Mas esta noção de propriedade é algo de muito forte e determinado. Criada, desenvolvida, aprofundada e ministrada astuta e ferozmente pelo homem, vem sendo acedida pela mulher. Esta noção começa a se notar logo nas primícias de uma relação. O par se conhece não se conhecendo de lado algum. Suas palavras são límpidas, despidas de preconceito e de intenção segunda, libertas de dúvidas. Então eles começam de conhecer os outros do parceiro, nos casos em que a relação contém alguma pele virtual. Ele anota inconscientemente os homens com que ela se corresponde. Ela faz o mesmo relativamente às mulheres “dele”. E verifica, com surpresa, que ele se relaciona mais com mulheres. Então, como se aqueles nomes fossem ervas, sobrevém uma vontade irresistível de atirar ervicida sobre eles e os destruir de uma vez. Um dia, um deles menciona no mail um daqueles nomes. Inocentemente. Do outro lado, cujos mails já espaçavam, na mesma hora e minuto é arremessada uma resposta eivada de franqueza. Como ainda estava com o micro nas mãos, é nestas que a resposta logo explode. Com surpresa e estupefacção. O alvo é atingido de forma rápida e certeira. No braço, no peito, ou na cabeça. Ou nas três zonas. No braço de certeza, pois ele (ela) já nada conseguirá escrever ao parceiro(a) nos próximos dias.
Vítima desta
construção arcaica e feudal, a propriedade, veremos se este amor
sobrevive. Ou se morre sem sequer ter
chegado à adolescência. |
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não foste ao encontro
que não marcaste como prometeras
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o campo do verão o verão do campo |
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na testa das varinas ou formigas |
e assim o rego de água o lento vinho das carradas sobre a campina os carros a gemer no outeiro ou melhor a natureza trémula de sede encontra o verde a madureza nua o loiro beiral de vinho na página |
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daí a chuva entre os poetas jovens |
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